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E quando chega um irmão?

Não há criança que não seja de alguma forma afetada pela chegada de um irmão, principalmente aquela que, até então, ocupava o lugar de filho único. A chegada de um novo bebê introduz uma mudança importante na dinâmica familiar e pode despertar sentimentos diversos e até contraditórios. Um misto de amor, ciúme, raiva e insegurança pode ser vivenciado nesse momento, e é importante que os adultos estejam atentos e sejam sensíveis a isso.

É comum escutarmos falas direcionadas às crianças como: “Mas você pedia tanto um irmão” ou “Você vai ganhar um grande amigo para a vida toda”. Porém, para que o pequeno tenha um lugar de acolhimento, é importante que encontre palavras que possam alojar também o seu mal-estar, sem a exigência de que perceba imediatamente os ganhos que poderão vir dessa nova relação.

Mesmo quando a criança ainda é muito pequena, os adultos ao seu redor podem ajudá-la a nomear seus sentimentos. Reconhecer o ciúme, a raiva, a tristeza, o medo de perder seu lugar ou mesmo a ambivalência diante do irmão pode contribuir para que esses afetos encontrem formas de expressão.

Os pais, por sua vez, podem sentir-se culpados por supostamente terem causado algum sofrimento ao filho. É importante compreender que não poderão poupá-lo de todas as frustrações que a vida inevitavelmente impõe. Poder suportar algumas perdas e transformações, contando com a presença afetiva dos adultos, constitui uma experiência importante no processo de crescimento.

Onde há ganhos, há também perdas. Em uma cultura frequentemente marcada pelo imperativo de evitar qualquer vestígio de falta, dor, vazio ou frustração, é importante preservar um espaço no qual esses sentimentos possam existir e ser elaborados.

Muitas vezes, em um movimento compensatório, os pais tentam aniquilar as diferenças entre os filhos para demonstrar que o amor é o mesmo. No entanto, essa tentativa pode produzir justamente o efeito contrário, como se houvesse apenas um lugar a ser disputado.

Mais importante do que assegurar uma igualdade absoluta é reconhecer a singularidade de cada filho e garantir que cada um possa construir seu próprio lugar na família. Os filhos não precisam ser iguais para serem igualmente amados.

A diferença não significa desigualdade de valor. Ao contrário, reconhecer aquilo que é único em cada criança pode evitar muitos equívocos e favorecer relações familiares nas quais cada filho encontre espaço para existir a partir de sua própria singularidade.

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